Meu primeiro dia dos namorados
(e o mais bizarro)
Muito, mas muito atrasada, resolvo mencionar algo sobre este dia. Em vez de falar sobre o amor, data capitalista e outra pieguice qualquer, vou contar como foi o meu primeiro dia dos namorados. Porém, vou situar um pouco vocês.
Como já dito antes aqui, namorei um menino mais novo do que eu. Ele tinha 12 e eu 13. Conheci o indivíduo quando nos preparávamos para fazer a primeira comunhão. Sim, soube que ele era mais novo antes de beijá-lo, mas tudo bem, acreditava na possibilidade de dar certo. Só tinha um detalhe agravante: Rêmulo ainda estava na sexta série, enquanto eu já estava no primeiro ano do ensino médio. É sabido, a maioria das garotas gostam de se comportarem como adultas. Imagine uma adolescente ingressa no ensino médio? Onde todos beijavam, bebiam, fumavam, fodiam e eram livres para fazer o que desse na telha (ao menos eu pensava assim - visão destruída em menos de 3 meses). A distância entre as idades virou um abismo.
Ele não se cansava de fazer gracinhas sobre a minha aparência (sem se olhar no espelho, lógico) e agir como um palhaço. Em menos de dois meses, a minha paciência saturou, mas não tinha a cara de terminar com ele. Sei lá como se terminava com alguém! Então fui aturando o pobre...até o fatídico dia dos namorados.
Aqui entra uma observação: quando era adolescente, meu pai me dava bastante dinheiro. O que dava margem para alguém acreditar em uma suposta riqueza minha. Não, eu não era pobre, sempre tive vida confortável - até o segundo governo do FHC. Aí eu virei uma
neo-pobre. Mas isso é assunto para um outro post.
Então, o Rêmulo acreditava que eu era rica. Sim, tinha mais dinheiro do que ele, porém isso não significa ausência de contas para pagar. Tá, tá, tá, estava pagando a assinatura da Marie Claire e da Querida, e daí? O dia dos namorados se aproximava e perguntei a ele o que queria de presente. O indivíduo fala de "uma bola de futebol de couro". Enquanto eu queria um CD do Legião Urbana (ah porra, dá um desconto, eu tinha 13 anos)! Lembro de ter avisado para ele sobre o atraso do presente - a prestação (última, por sinal) era no dia 15.
É chegado o malfadado dia. O ser apareceu na minha casa e me deu o presente: uma blusa de manga preta, com o PIU-PIU na frente. Meu, a blusa foi comprada na feirinha*! Ele descrevendo a blusa como ideal para mim foi o ápice...peguei o presente, fui para o quarto e gritei. Gritei até a minha mãe perguntar o que aconteceu e eu ter que disfarçar. Mas o espetáculo foi quando eu relembrei do atraso da bola... o rapazinho fez um SHOW. Bateu o pé no chão e tudo. Em cada 5 minutos mencionava a porra da bola. Eu? Dava de ombros e dizia que iria comprar na semana seguinte.
Na hora de ele ir embora, solta a bomba:
- Podemos ser apenas amigos?
- Não.
- Mas por quê?
- Porque não!
- Mas do Valmir** você queria ser!
- Ele é legal.
- Mas e o meu presente?
O cara teve a falácia de perguntar sobre a bola de couro! Estava terminando comigo e o óleo de peroba estava em falta justamente nesse momento! Aí eu abri um sorriso e disse:
- Não tem problema. Devolvo o teu.
O bicho saiu pisando duro de tanta raiva! Fiquei tão feliz que liguei para TODOS os meus amigos avisando sobre o fim do meu relacionamento.
O Rêmulo então entrou para o meu livrinho de histórias como o garoto mais novo que queria dar o golpe do baú na namorada. Pode? Ai, ai...é muito ser estranho nesse mundo.
* Não tenho nada contra a produtos comprados na feirinha. Tenho pavor é de coisa feia.
** Procure os meus arquivos, você vai saber quem é.
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