Dois textos, um post
Muito texto na cabeça dá nisso. Vou falar de duas coisas completamente diferentes nesse texto, uma trivial e a outra não. Vamos lá.
Como já falado no último post, estava com dor de dente. Doeu tanto naquele dia que resolvi ir ao posto de saúde, logo depois de despachar a minha malinha Henrikke para o parque. Ao chegar na clínica odontológica, fui falar com a recepcionista:
- Oi, bom dia, eu estou com dor de dente...
- Desculpe, não podemos te ajudar.
-
q
Sim, eu estava em uma CLÍNICA ODONTOLÓGICA e eles não podiam me ajudar com a minha dor de dente. Então respondi:
- Ainda não acabei de falar.
Daí foi a vez da mulher ficar com cara de
q
- Então, como eu estava falando, eu estou com dor de dente, mas não sei para onde ir em caso de emergência. Você tem como me ajudar?
Ela me explicou para onde ir e o endereço, falou para eu chegar no local uns minutos antes de abrir para ser uma das primeiras.
Ok, o tal dentista de emergência só começava a funcionar depois das 18h, logo saí de casa às 17:00. Tinha marcado com o meu namorado, logo fomos juntos. Ao encontrar a amiga dele no meio do caminho, a ficha caiu - vou ter que pagar pela consulta. Caramba, é emergência e hospital público, pobre aqui realmente não tem vez. But nevermind.
Chegando ao hospital, parecia que eu peguei o avião para o Brasil e desembarquei no Rocha Faria. Lotado, com direito a tia gorda e criança histérica. Eu era a terceira para a fila do dentista, mas não adiantou muito, pois esperei por uma hora e meia para ser atendida. Na minha vez, o dentista analisa tudo, elogia os meus dentes e já quer arrancar o cizo. Perguntei se precisava, ele falou que dependia de o quanto estava doendo. Iria doer mais no meu bolso do que no meu dente, então deixei para a próxima. E o dentista ainda ficou espantado quando falei que não tinha dinheiro:
- Oras, você trabalha com o quê?
- Eu sou au pair!!!
- Aaaaaaaah...
(...)
Mereço.
O segundo texto:
Ao abrir o orkut hoje de manhã, li estarrecida uma notícia já um tanto banal: cinco jovens, moradores da barra, espancaram uma empregada que estava no ponto de ônibus na Avenida Lúcio Costa a caminho do médico. A notícia não me chocou, infelizmente, mas me deixou triste. Não me chocou porquê, você pode se perguntar. Te respondo: oras, quem frequenta a night alternativa do Rio de Janeiro já sabe como é. Essas pragas saem de buracos como Baronetti e Bombares da vida para infernizar a vida alheia, só por diversão. Quem vai para a Farme de Amoedo para arrumar briga com gays? Quem vai para a Rua Ceará arrumar treta - não, não é a rua da Vila Mimosa, a Vila fica na rua ao lado - com punks/grunges/headbangers? Quem ia para a Bunker, nos áureos tempos, se intrometer entre casais de lésbicas?
Não vou generalizar - existem "playboys-moradores-da-barra" gente fina. Conheci alguns deles enquanto eu estudava na Estácio. Lógico, a amizade não foi eterna por vários motivos, mas eu tenho certeza que eles não se submeteriam a isso. Esse tipo de gente é praga em qualquer bairro...sofri muito com esses playbas na época que eu estudava no Afonso Celso.
Os pais provavelmente não enxergam os monstros que criaram - talvez seja melhor assim, pois até eles se envergonhariam do que seus filhos fizeram. A única coisa que podemos pedir é justiça, que dessa vez ela venha realmente ser feita.
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